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O que é margarina e quando faz sentido usar no lugar da manteiga

Tem um pote na geladeira de quase todo mundo. Mas o que é margarina, como é feita, o que aconteceu com a gordura trans e quando ela faz sentido no lugar da manteiga — isso a maioria não sabe de verdade.

Margarina é um produto feito de óleos vegetais que passam por um processo de hidrogenação para ficar sólidos em temperatura ambiente. É criada como alternativa à manteiga — mais barata, com ponto de fusão controlado e sem gordura saturada de origem animal. No Brasil, a Anvisa proibiu a gordura trans industrial em 2023. As margarinas atuais no mercado não têm gordura trans.

Pessoa espalhando margarina ou manteiga sobre fatia de pão — spread cremoso no café da manhã

Foto: Rachel Claire / Pexels

Pote aberto de margarina cremosa sobre superfície de madeira — textura e cor da margarina em close-up

Foto: Karola G / Pexels

O que é margarina

Margarina é um produto de origem vegetal criado para imitar a textura e o uso da manteiga. A base são óleos vegetais — de soja, palma, girassol ou canola — que passam por processos industriais para ficar sólidos ou pastosos em temperatura ambiente.

A invenção data de 1869. O químico francês Hippolyte Mège-Mouriès desenvolveu o produto a pedido de Napoleão III, que queria uma alternativa barata à manteiga para alimentar o exército. O nome original era "oleomargarina" — daí veio margarina.

Durante décadas, foi posicionada como a opção mais saudável que a manteiga — menos gordura saturada, menor custo, mais fácil de espalhar. Esse posicionamento entrou em colapso nos anos 1990 quando pesquisas ligaram a gordura trans, criada no processo de hidrogenação, a riscos cardiovasculares sérios.

O que mudou desde então é o processo de fabricação. As indústrias desenvolveram alternativas à hidrogenação parcial — que era o que gerava a gordura trans — e as margarinas atuais têm composição bem diferente das antigas. A Anvisa proibiu a gordura trans industrial no Brasil a partir de 2023, e os produtos que chegam ao mercado hoje precisam estar dentro dessa regulamentação.

Como é feita

O processo começa com óleos vegetais líquidos. Para virar sólido, o óleo precisa passar por algum tipo de modificação. O método antigo era a hidrogenação parcial: bombear hidrogênio no óleo com calor e pressão. Funcionava, mas criava gorduras trans como subproduto.

Os métodos atuais usam hidrogenação completa (que não gera trans, mas cria gordura saturada) combinada com interesterificação — uma reorganização das moléculas de gordura que ajusta a textura sem criar trans. Depois, óleos líquidos são adicionados de volta para acertar a consistência final.

Além dos óleos, a margarina leva água, emulsificantes para misturar óleo e água (lecitina de soja é comum), sal, corantes (o amarelo vem de colorífico, já que o produto seria esbranquiçado sem ele), aromas e conservantes. Algumas versões levam soro de leite para ajustar sabor e textura — o que adiciona lactose.

É um alimento ultraprocessado, no sentido técnico do termo. Isso não é um julgamento, é uma descrição do que é: resultado de múltiplas etapas industriais com ingredientes que não existem em cozinha doméstica.

Tipos de margarina que você encontra no Brasil

O mercado brasileiro tem vários produtos chamados de margarina — mas nem todos são tecnicamente iguais. A Anvisa define categorias com base no teor de gordura, e isso muda como cada um se comporta na cozinha.

Margarina culinária

Mínimo de 80% de lipídios. É a margarina de verdade, segundo a regulamentação. Comporta-se mais próximo da manteiga em receitas — menos água, mais gordura, resultado mais estável em forno. Se a receita pede manteiga e você vai usar margarina, use esta.

Creme vegetal

Entre 35% e 79% de lipídios. A maioria dos potes cremosos que aparecem como "margarina" no mercado são, na verdade, cremes vegetais. Mais água, menos gordura, textura mais mole. Ótimos para passar no pão, mas não substituem manteiga com o mesmo resultado em receitas de forno.

Margarina light

Versão com menos calorias — geralmente menos gordura, mais água. O sabor e a textura mudam. Não é indicada para cozinhar ou assar: a água extra afeta o resultado de receitas e pode respingar se for usada para refogar. Funciona apenas como spread direto.

Margarina sem sal

Mesma composição da culinária, sem adição de sal. Útil para receitas doces onde o sal da margarina comum desequilibra o sabor, e para dietas com restrição de sódio. Mais versátil na cozinha.

Pão com manteiga ou margarina ao lado de ingredientes de café da manhã sobre mesa de madeira

Foto: Polina Tankilevitch / Pexels

Margarina vs manteiga

O debate entre margarina e manteiga já foi considerado encerrado pelo menos três vezes. Primeiro a margarina ganhou (menos gordura saturada). Depois a manteiga voltou (gordura trans da margarina). Agora a conversa recomeçou com as novas fórmulas. A ciência não parou de mudar de posição.

O que dá pra dizer com segurança hoje:

Em termos de sabor, manteiga ganha — especialmente em preparações onde ela aparece como sabor principal, como croissant, biscoito amanteigado e arroz de forno. Em receitas onde a gordura é só estrutural, como bolo simples ou pão, a diferença final é menor do que parece.

Quando usar cada uma

A resposta prática depende do uso, não de qual é mais saudável. Esse é o critério que faz diferença na cozinha.

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Margarina faz mal? O que aconteceu com a gordura trans

A história da gordura trans é um exemplo claro de como um processo industrial pode ter consequências não previstas. A hidrogenação parcial foi desenvolvida no início do século XX e adotada em escala industrial décadas depois. Só nos anos 1990 pesquisas começaram a ligar o consumo de gordura trans a aumento de LDL (colesterol ruim), redução de HDL (colesterol bom) e risco cardiovascular elevado.

A margarina era um dos principais veículos de gordura trans na dieta ocidental. As campanhas de saúde que recomendavam trocar manteiga por margarina nas décadas de 70 e 80 acabaram, involuntariamente, substituindo um risco por outro.

A resposta regulatória veio aos poucos. Os EUA proibiram gordura trans industrial em 2018. O Brasil estabeleceu limites progressivos e chegou a zero em 2023 — alimentos produzidos a partir dessa data não podem conter gordura trans artificial. Os produtos no mercado hoje estão dentro dessa regra.

A margarina atual não é a mesma de 1985. A composição mudou, o processo mudou, a regulamentação mudou. Isso não a transforma em alimento funcional — continua sendo ultraprocessado, com emulsificantes, corantes e aromas. Mas o risco específico que tornou a margarina famosa por fazer mal já não está presente nas versões atuais do mercado.

Consumi-la com moderação, como parte de uma alimentação variada, não é um problema documentado. O problema histórico era quantidade, frequência e a composição específica de um produto que não existe mais da mesma forma.

Como guardar margarina em casa

Margarina aberta vai para a geladeira, sempre tampada. O principal cuidado é com absorção de odores — margarina captura cheiro de alimentos fortes com facilidade. Não guarde perto de queijo curado, cebola, alho ou peixe.

Não recongele margarina que já descongelou. E não guarde sobras contaminadas de volta no pote — se você usou uma faca que tocou outro alimento, não recoloque no pote original.

O prazo depois de aberta costuma ser de 30 a 45 dias, dependendo da marca. Verifique o rótulo — algumas versões com menos conservantes têm validade menor após abertura.

Uma boa prática: quando for à lista de compras, anote a data de abertura no pote. Parece exagero até você encontrar um pote com data que você não se lembra mais.

Perguntas frequentes sobre margarina

Gus

Criador do Mise. Tem um pote de margarina culinária e outro de manteiga na geladeira ao mesmo tempo. Não vê problema nisso.

Despensa organizada.
Bora usar o Mise.

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